segunda-feira, 2 de junho de 2008

Conclusão


Conclusão

· Por Patrícia Azevedo

Assim sendo, podemos explicar que Atenas é vista como um começo ou um modelo da Democracia Ocidental, e aqui tudo é muito cingido, e o mais movido dos direitos era o da participação dos cidadãos nas decisões da cidade. Contudo surge-nos Sócrates que foi, verosimilmente, a figura mais misteriosa de toda a história da filosofia. No entanto algo fez perder a sua veracidade pois Sócrates foi acusado de "introduzir novos deuses" (as "vozes interiores divinas" que ele afirmava ouvir na cabeça) e adulterou os jovens, além de não crer nos deuses adorados, foi por si só um enigma filosófico. Por tudo isto Sócrates foi então condenado por um júri de 501 membros, poderia ter fugido mas iria contra os seus princípios. A vida e o pensamento de Sócrates sugestionaram os filósofos ocidentais e suscitara uma admiração quase mística em Rousseau, Kant e Hegel, ao mesmo tempo que uma rejeição exemplar em Nietzsche, que via nele o aniquilador do mito em nome da razão. Sócrates foi sem dúvida um dos maiores filósofos de todos os tempos. Se ele existisse seria se dúvida professor universitário e seguramente de filosofia, adorado por uns e rejeitado por outros, dado o seu grande talento para ensinar e fazer meditar.

Por fim devo dizer que Sócrates seria sem dúvida um agente grandemente importante na nossa sociedade, as sua filosofia e reflexão levaram-no a sofrer as consequências na Grécia Antiga, hoje seria o mesmo. A filosofia e a capacidade de reflexão que Sócrates possui-a no seu dia a dia e na sua interacção com a cidade, não sendo particularmente valorizada actualmente é deveras importante, para nos defender-mos dos perigos camuflados que esta sociedade capitalista e consumista tem.


· Por Paulo Nunes

Seria pouco provável o êxito de Sócrates no séc XXI. Embora pudesse acabar por reunir um pequeno grupo de apoiantes, que o caracterizavam como sendo um dos homens mais sábios e inteligentes da actualidade, tal como viam os seus contemporâneos “da Grécia antiga”, o certo é que a maioria da sociedade actual não lhe daria a devida atenção, pelo contrário, olhariam para ele como um deslocado que pretendia chamar atenção através dos seus discursos filosóficos, criticando todos os que pertenciam a uma sociedade “Parasita” que vive em redor dos interesses político-económicos.

Os seus discursos relativos a questões polémicas do quotidiano como, humanas, ética, política, conhecimento, etc, não o levariam à morte por condenação, todavia seria certamente condenado ao fracasso, face ao desinteresse total demonstrado pela máquina manipuladora de uma imprensa dominada pelos estados capitalistas. Ainda neste contexto, a classe política desde logo faria todos os possíveis para aniquilar Sócrates, pois ele era a voz da indignação no que diz respeito à forma como os políticos deste séc. XXI defendiam as suas posições partidárias e os seus conceitos políticos, que como se sabe, não correspondem nem de perto nem de longe aos ideais de Sócrates, quando este invoca que a política deveria ser exercida por alguém que soubesse falar em público e defender suas ideias de uma forma clara e explícita, o que não acontece na realidade com os políticos que temos.

Se pensarmos numa sociedade que não é capaz de inverter o aumento cada vez maior de desigualdade social, de guerras, de fome, de miséria etc, como poderiam perder um pouco do seu tempo a ouvir os ideais de Sócrates, nomeadamente do que diz respeito à reflexão? Seria assim mais um, entre muitos aventureiros que apesar do seu esforço em mudar as mentalidades, acabaria por esbarrar nos ideais de uma civilização medíocre, dona da razão que pensa acima de tudo num bem estar pessoal em detrimento do colectivo.


· Por Bruno Gonçalves

Sócrates foi o fundador e símbolo por excelência da filosofia ocidental, pelo menos é o que nos chega aos dias de hoje, pelos registos de Platão, que foi a única pessoa que achou que a sua actividade filosófica era digna de registo, como tal Sócrates e as suas atitudes, ideias, pensamentos, diálogos e vida podem ter sido mera criação do seu discípulo Platão, mas algo irrefutável é a sua existência e que era moral e filosoficamente diferente dos seus contemporâneos.

Na sociedade Ateniense do séc. V a.c., a atitude de Sócrates e as suas ideias divergentes da maioria da restante população, levaram-no a ser condenado á morte, como tal Sócrates se vivesse hoje em dia também não seria valorizado devido á sua diferença.

No séc. XXI vivemos numa sociedade globalizante, em que se procura que todos sejamos “iguais”, uma atitude filosófica de reflexão, critica e desconstrução dos valores da sociedade para que possamos pensar por nós próprios sem preconceitos, não aceitando tudo o que nos é imposto, sem nem sequer por nada em causa, é algo que como na época de Sócrates não é bem aceite. Somos bombardeados por processos de manipulação e alienação de todas as direcções e principalmente por parte dos media, que controlados por grupos sociais e políticos nos tentam incumbir uma estupidificação de massas, um pensamento único e global, logo a reflexão, o pensamento filosófico próprio é algo marginal "A vida sem reflexão não merece ser vivida.".

A comunicação e os diálogos que Sócrates tanto apreciava estão cada vez mais em desuso, arrastando consigo a amizade a comunicação “física" e o sentido de comunidade, levando a que as pessoas fiquem cada vez mais isoladas e presas a bens materiais. Isto tudo resulta na perda cada vez maior do poder de decisão na sociedade em que estamos integrados, vendo alguns dos nossos direitos a transformarem-se em meras ilusões.

“Revoltado”, seria como Sócrates provavelmente poderia ser apelidado caso vivesse actualmente, ao não seguir o “pastor”, separando-se do restante “rebanho” e acreditando até ás ultimas consequências nas leis da cidade em que vivia, mas se por outro lado adoptasse uma postura valorizada pela actual sociedade materialista, poderia até vir a ser considerado um herói e um exemplo a seguir por muitos, sem que importasse o que pensa e o que é mas sim o que tem.

Quer há vinte e cinco séculos atrás quer principalmente hoje, embora mais trabalhoso e limitado, deveríamos adoptar uma postura perante a sociedade e a cidadania equivalente á do Filosofo Sócrates, para que pudesse-mos ser mais livres, ter uma visão mais real do espaço que nos rodeia e do planeta onde habitamos, para alem de contribuirmos para uma sociedade mais racional, justa e equilibrada, aproveitando assim a principal característica que nos distingue dos restantes animais, o raciocínio!

"Aquele a quem a palavra não educar, também o pau não educará."

Um comentário:

Eri Ribeiro disse...

Poxa parabéns. Excelente. uma linguagem simples, mais rica em informação. Parabéns.